Brasil S/A

Wednesday, June 28, 2006

Para OIT, condições de emprego no mundo estão longe do ideal

De acordo com a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo, as diferenças são ainda maiores com relação ao mercado de trabalho para mulheres e negros. "A discriminação e a desigualdade de gênero e raça no Brasil não são um problema de minorias, mas da maioria da sociedade. Mulheres e negros correspondem a quase dois terços da população economicamente ativa e estão em uma situação de desvantagem em todos os indicadores do mercado de trabalho. A nosso ver, a discriminação de gênero e raça constituem os eixos estruturantes dos padrões de desigualdade social no Brasil", explicou. Para tentar reduzir as diferenças sociais no mercado de trabalho, principalmente entre raças e etnias, a OIT debate em Brasília, até quarta-feira (28), os resultados de dois projetos - o de Fortalecimento Institucional para a Igualdade de Gênero e Raça, Erradicação da Pobreza e Geração de Emprego e o de Eliminação da Discriminação Racial no Emprego. "É preciso haver um diálogo social como instrumento da construção de políticas públicas para a redução das desigualdades no mercado de trabalho", disse Laís. A diretora da OIT ressaltou que a redução das desigualdades de gênero, raça e etnias no mercado de trabalho ainda está longe do ideal porque, segundo ela, essa não é uma realidade que se muda da noite para o dia.

"Desigualdades em termos de renda, de acesso ao emprego de qualidade e de trabalho decente. As diferenças são muito grandes entre homens e mulheres, negros e brancos. Grandes, profundas e são impossíveis de serem superadas num período curto de tempo, mas o importante é uma consciência, cada vez maior, do que é necessário enfrentar", destacou. Fonte: Agência Brasil

Wednesday, June 21, 2006

Violência no local de trabalho já é "epidemia", diz estudo

A violência física e psicológica no local de trabalho está aumentando em todo o mundo e atingiu "níveis epidêmicos" em muitos países industrializados, segundo um estudo publicado ontem pela Organização Internacional do Trabalho O estudo diz que a violência no trabalho, incluindo prepotência, assédio sexual e agressão física, pode estar custando entre 0,5% e 3,5% do Produto Interno Bruto dos países em absenteísmo, licenças médicas e menor produtividade.Profissões antes consideradas "seguras", como magistério, serviços sociais, serviços de biblioteca e tratamento de saúde hoje sofrem níveis crescentes de violência física, tanto nos países ricos como nos pobres, diz o estudo.Além disso, "prepotência, assédio, violência e grupo e comportamento semelhantes podem ser quase tão prejudiciais quanto a violência física", dizem os autores, Vittorio Di Martino e Duncan Chappell. "Hoje a instabilidade de muitos tipos de empregos coloca enormes pressões nos locais de trabalho, e estamos vendo mais dessas formas de violência."O estudo diz que os dados disponíveis, embora isolados, mostram uma clara tendência ascendente em prepotência, assédio e intimidação de trabalhadores, afetando mais de 10% da força de trabalho européia, por exemplo.Nos países em desenvolvimento, mulheres, migrantes e crianças são mais vulneráveis, com o assédio e abuso sexual relatado como um grande problema em lugares tão variados quanto a África do Sul, Malásia e Kuwait.Ao mesmo tempo, o estudo nota que a violência física declinou nos EUA e no Reino Unido nos últimos anos. Nos EUA o número de homicídios no local de trabalho caiu de mais de 1 mil por ano uma década atrás para cerca de 630 em 2003.Na Inglaterra e no País de Gales, os incidentes de violência no trabalho caíram de 1,3 milhão em 1995 para cerca de 850 mil em 2002-03, segundo o British Crime Survey.Enquanto a polícia e o pessoal de segurança correm os maiores riscos de ataque físico, os trabalhadores de saúde e transportes (incluindo motoristas de táxi) também são particularmente vulneráveis, nota o estudo.Em termos de assédio e abuso verbal, os trabalhadores de centros de telefonia são um grupo de risco pouco reconhecido. Por exemplo, uma pesquisa na Alemanha descobriu que três em cada quatro mulheres trabalhadoras relataram telefonemas de assédio sexual.E nos países em desenvolvimento as zonas de processamento para exportação também são caracterizadas por más condições de trabalho, incluindo abuso, assédio sexual e agressão física, segundo o estudo.Ele também cita exemplos de boas práticas empresariais para combater a violência de todos os tipos, concentrando-se em ações para oferecer um melhor ambiente de trabalho, assim como códigos de conduta e treinamento sobre assédio e discriminação.

Fonte: Financial Times

Wednesday, June 14, 2006

Para Dieese, poder de compra é o maior em 24 anos


Os trabalhadores brasileiros tiveram, em maio, o maior poder de compra da história para os itens que compõem a cesta básica. No mês passado, os trabalhadores gastaram, em média, 48,64% do salário líquido recebido para adquirir a cesta – o maior índice dos últimos 24 anos. O dado é da pesquisa nacional da cesta básica, divulgada hoje (6) em São Paulo pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos (Dieese). De acordo com o Dieese, é a primeira vez desde 1982 que o assalariado gastou menos da metade do salário líquido recebido para adquirir a cesta, considerando a média do país. O resultado foi registrado em oito das 16 capitais pesquisadas pela entidade; nas restantes, esse percentual variou de 50,54% (Vitória - ES ) a 55,38% (São Paulo -SP). O mês de abril registrou praticamente o mesmo índice (48,63%), mas o cálculo foi feito sobre o reajuste para R$ 350,00, que passou a valer em maio. Tanto em maio como em abril, o Dieese apurou que o trabalhador precisou trabalhar 98 horas e 49 minutos para adquirir a cesta. Apesar do poder de compra recorde, a entidade calcula que o valor do mínimo deveria ser de R$ 1.503,70, ou seja, 4,3 vezes o salário mínimo atual, para suprir as necessidades definidas legalmente para uma família, que, além da cesta, incluem moradia, transporte, vestuário, saúde, educação, higiene, lazer e previdência. Renda maior diminui procura por emprego informal, avalia pesquisador do IBGE Economia estável e o aumento no rendimento do trabalhador são os principais responsáveis pelo aumento no número de empregos formais no Brasil, na avaliação do coordenador da Pesquisa Mensal de Empregos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Cimar Azeredo. Em abril deste ano, segundo o IBGE, houve índice recorde de empregos com carteira assinada no setor privado da economia: 41,8%, o que equivale a 8,3 milhões de trabalhadores nas seis regiões metropolitanas brasileiras pesquisadas. "Uma economia mais estável, que promova mais segurança para o investidor, impulsiona um mercado mais seguro", afirma Azeredo. Em relação ao crescimento do rendimento do trabalhador, ele diz que uma renda familiar maior diminui a necessidade de se buscar o caminho da informalidade para complementar a remuneração. "Quando você tem uma queda no rendimento no seio familiar, você impulsiona mais pessoas daquele domicílio a procurar algo a fazer, a fim de complementar a renda familiar. Aí, você vê um aumento da informalidade". Segundo ele, o maior índice de trabalhadores com carteira assinada, antes de abril de 2006, havia sido registrado em abril de 2002: uma taxa de 40,3%.

Fonte: Agência Brasil

Tuesday, May 30, 2006

Classes B e C vão sustentar aumento do consumo este ano, diz pesquisa

A cozinheira Rute Silva, de 21 anos, tem renda familiar na faixa de R$ 1 mil por mês. Segundo ela, a vida melhorou no último ano - ela comprou um DVD a prazo, um guarda-roupa, e até viajou para Vitória nas férias. "Está bom, mas pode melhorar mais", diz Rute, que está com casamento marcado para outubro. Ela e o noivo estão construindo uma casa e já começaram a fazer os planos para mobiliá-la. Por enquanto, já compraram o dormitório, a prazo. A técnica acadêmica Cristiana Reina, de 35 anos, casada e mãe de dois filhos, também acha que ficou mais fácil melhorar o padrão de vida. Com renda familiar na faixa de R$ 5 mil, ela conta que nos últimos meses trocou de carro. A família tinha um Tempra e adquiriu um Honda Civic usado. "Eu financiei a compra e faltam dois anos para pagar", observa. Além de trocar o carro, Cristiana diz que fez "upgrade" no celular dela e dos filhos. Ela conta que trocou um modelo mais básico de telefone por outro com máquina fotográfica. Estudo da Target Marketing, consultoria especializada em pesquisa de mercado, mostra que não são apenas as famílias da classe C, aquelas com renda média mensal de R$ 1.140, que devem continuar ampliando as compras em 2006. A classe C já responde por um quarto do consumo do País, ou R$ 300 bilhões, mas agora a expectativa é que o crescimento mude de patamar. Os gastos dos domicílios da classe B, que recebem em média entre R$ 2,2 mil e R$ 3,7 mil mensalmente, deverão registrar a maior taxa de crescimento do consumo entre as classes sociais este ano. Em 2006, os 10,6 milhões de lares da classe B espalhados pelas 5.564 cidades brasileiras deverão desembolsar R$ 429,6 bilhões em compras e serviços, 5,3% mais que em 2005. Essa taxa de crescimento deverá superar o aumento das compras da classe C, estimado em 3,2%. O consumo total nas cidades está projetado em R$ 1,098 trilhão, quase 3% maior que em 2005. A classe B detém 39,1% desse total. "Aumentou a mobilidade social entre as classes nos últimos anos", diz o diretor da consultoria, Marcos Pazzini, com base no estudo "Brasil em Foco", elaborado pela sua consultoria. O estudo é feito anualmente pela consultoria a partir de dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e cruzados com informações de outras fontes de pesquisa. Para a edição deste ano levou-se em conta que o Produto Interno Bruto (PIB) crescerá 3,45%. O estudo aponta exatamente a ascensão das camadas mais pobres da população para os estratos mais altos de renda. Esse movimento vem ocorrendo nos últimos anos e deve continuar em 2006. A queda da inflação e a grande oferta de crédito, que facilitou a compra de bens, são os fatores que sustentam essa migração dos brasileiros entre as camadas sociais, lembra Pazzini. Das sete classes sociais, de acordo com os critérios da Associação Brasileira das Empresas de Pesquisas, que classifica os brasileiros pela posse de bens e renda, a expectativa é de aumento do consumo para quatro camadas de renda neste ano, exceto para o topo e a base da pirâmide. Isto é, os mais ricos, a classe A1, com renda média mensal de R$ 11.070, e os mais pobres, as classes E e D, que recebem mensalmente em média R$ 300 e R$ 570, respectivamente. Nas classes B e C , a expectativa é de aumento da participação tanto no consumo como no número de domicílios. Em 2005, a classe B como um todo respondia por 22,9% dos domicílios e 38,2% do consumo. Neste ano, esse estrato corresponde a 24,1% dos domicílios e 39,1% do consumo. Já a classe C detinha 37,9% dos domicílios em 2004 e deve responder por 39,4% este ano. Em termos de renda, essa fatia da população respondia por 27,2% do consumo no ano passado e 27,3% este ano. Enquanto isso, as classes D e E devem encolher tanto a sua participação no consumo como em número de domicílios. O estudo mostra que a fatia da classe D era de 31,1% em número de domicílios em 2005 e de 10,7% do consumo. Para este ano, a participação no total de domicílios cai para 28,9% e recua para 9,5% no consumo. A fatia da classe E, que era de 3,2% em número de famílias em 2005, se reduziu para 2,7%. Em termos de consumo, a participação de 0,6% em 2005 caiu para 0,5% este ano. Essa maior mobilidade entre as classes sociais explica, segundo especialistas em varejo, o esforço do comércio em colocar produtos mais sofisticados até dentro das lojas tidas como populares. Isto é, só o produto básico não atrai o consumidor, que está a cada dia em busca da melhor relação entre custo e benefício na hora de ir às compras.

Fonte: O Estado de São Paulo

Monday, May 22, 2006

72 milhões de brasileiros vivem com insegurança alimentar


O IBGE apresentou os resultados uma pesquisa, com base nos números da PNAD - Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios - 2004, sobre Segurança Alimentar, realizada em convênio com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. A pesquisa revela que 34,8 milhões dos domicílios do país, ou 72 milhões de brasileiros, vivem em situação de insegurança alimentar. A segurança alimentar, por definição, é a garantia do direito de todos ao acesso a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente (todos os dias).

No Brasil há cerca de 52 milhões de domicílios. Destes 65,2 %, ou 109 milhões de pessoas, vive com segurança alimentar. Os outros 34,8% vivem (ou sobrevivem) em situação de insegurança alimentar – leve, moderada ou grave. A insegurança alimentar moderada ou grave atinge 18,8 % das famílias brasileiras, cerca de 39,5 milhões de pessoas.

A maioria das famílias com insegurança alimentar vive na região Nordeste. 53,6% dos nordestinos não se alimentam adequadamente. Só a nível de comparação, na região sul esse índice é de 23,4%, menos da metade. Levando em conta somente as famílias que convivem com insegurança alimentar grave, estas são 10,9% das casas do Nordeste. No sul são 3,5%.

A Bahia é o 10° maior nível de insegurança alimentar no país, com 50,2%. No Brasil, o estado que possui o melhor índice de famílias se alimentando adequadamente é Santa Catarina, com 83,2%. O pior é o maranhão, com 30,9% das famílias em segurança alimentar.

Monday, May 15, 2006

Mercado de Trabalho – Bahia e Brasil

O mercado de trabalho na Bahia também conta com índices bastante inferiores às médias nacionais. Apesar disso, os dados do IBGE mostram um quadro de estagnação na economia tanto baiana quanto brasileira.
Dados da PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – de 2004 mostram que a porcentagem de trabalhadores infantis, analisando os ocupados entre 10 e 14 anos, na Bahia é de 3,5%. A média brasileira é de 1,9%.

A renda real média do trabalho, que calcula a renda média das pessoas com mais de 15 anos, na Bahia é de R$ 356, algo em torno de um salário mínimo. No Brasil, esta renda é de R$ 640.

Quando se contabiliza a renda domiciliar per capita, que engloba a renda média por pessoa, os números são ainda mais alarmantes. O Brasil, tem média de R$ 462, a Bahia R$ 263. E o principal agravante: em 1995, os índices eram praticamente os mesmos, R$ 474 no Brasil e R$ 256 na Bahia, o que mostra uma estagnação da renda do brasileiro nos últimos dez anos.

Wednesday, April 19, 2006

A Bahia e o dobro do Brasil



Nos anos de 2004 e 2005, o estado da Bahia registrou um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) com valores que se chegam ao do dobro da média nacional. Pois bem.

Em 2004, enquanto o Brasil apresentou um PIB de 4,9%, a Bahia cresceu o dobro, com 9,8%. Já em 2005, a economia brasileira teve desempenho de 2,3%. A economia baiana registrou crescimento de 4,8%.

Mas não é só no crescimento econômico que a Bahia tem níveis que são o dobro do Brasil. Os números da PNAD – Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios – realizada em 2004, mostram que em alguns indicadores sociais, a Bahia também tem médias que superam o dobro do país. Vejamos.

O índice de pobreza, ou seja, pessoas que sobrevivem com uma renda de até R$ 157, representam 31,7% da população brasileira. Na Bahia, esse índice é de 72,2%. Quase 3/4 dos baianos são pobres, representando mais do que duas vezes a média nacional.

Quando o assunto é o índice de indigentes, que são as pessoas que vivem com até 1/4 do salário mínimo, eles são 12,3% dos brasileiros. Na Bahia, 24% da população é considerada indigente, num número que chega a quase o dobro da média do Brasil.